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Dois lados da mesma moeda

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Waldete Cestari 2
Waldete Cestari é professora aposentada, autora de livros infantis e fotógrafa amadora.

Ele descia a rua . Usava óculos escuros, terno preto, gravata prata, camisa cinza, sapatos sociais. Não fazia questão de andar muito para conhecer um point gastronômico, pois comida boa era o seu forte. E era isso que estava fazendo: procurando o endereço de um restaurante “diferente” que lhe haviam recomendado, com sabores e aromas da Índia.

Uns dois passos atrás, ela descia a rua. Usava calças jeans, regata branca básica, sandália rasteirinha, uma bolsa estampada com araras à tiracolo. Não fazia conta de andar muito para conhecer um restaurante diferente, que servisse comida indiana, uma de suas preferidas. E era isso que ela estava fazendo: procurando o endereço do restaurante lacto-vegetariano, que lhe haviam recomendado.

Os dois chegaram quase ao mesmo tempo ao lugar. Havia uma pequena fila de espera. Ele olhou e não gostou: uma escada de madeira dava entrada ao restaurante e estava coberta de pétalas de rosa. – Que coisa mais brega ! – pensou. Ela olhou e gostou: – Que modo mais delicado de se desejar boas vindas !

Conforme a fila andava, foram subindo os degraus. Ele viu uma jarra e pensou: – deve ser uma batidinha para abrir o apetite. Ela olhou a jarra e pensou: – deve ser alguma bebida típica para abrir o apetite. Ela acertou: era uma bebida feita com gengibre. Ela provou e adorou; ele provou e detestou.

Ao entrarem no restaurante, os dois arregalaram os olhos diante da decoração: mesinhas redondas de madeira rústica, cadeirinhas também redondas; quadros com figuras e paisagens indianas pelas paredes; cheiro de incenso. Num canto, um tapete, uma mesa baixa e várias pessoas sentadas no chão em almofadas. Ele pensou: – tomara que nem me ofereçam de sentar no chão. Com este terno ? Ela pensou: – adoraria sentar no chão, mas parece que não tem lugar.

A recepcionista perguntou: – Estão juntos ? Ele: Não ! Então me acompanhem. E indicou duas mesinhas , uma ao lado da outra. Eles se sentaram, um em cada uma. Uma garçonete colocou uma toalha retangular estampadinha sobre cada mesa e lhes apresentou o cardápio com duas opções de pratos. Os dois pediram a primeira opção.

O que mais chamou a atenção dela foi o suco: tamarindo com maçã e morango. E a dele também. Ele disse à garçonete: – Uma cerveja, por favor. Ela falou: – Não servimos bebidas alcoólicas aqui. Daí a pouco, trouxe dois copos com suco.

Chegou a comida; tudo servido em pequenas cumbucas de inox, de variados formatos. Copo e pratos de inox; talheres, idem. Uma salada de folhas com sementes de papoula; lasanha de berinjela com três queijos e alcachofra; legumes diversos empanados e de sobremesa, mousse de rosas. Ele pensou : – Será ?! Ela pensou: – Vou adorar.

Ele começou a comer, meio desconfiado. Apesar das vasilhas virem cheias de comida, achou que ia ser pouco. Estava com uma fome daquelas… Ela começou a comer e a cada garfada, fechava os olhos de prazer. Olhou as vasilhas e achou que não iria dar conta.

Numa coisa eles combinaram: não sobrou um grão de comida. Devoraram tudo. E repetiram o suco.

– Essa mousse está demais ! – os dois pensaram. Pediram mais uma porção.

Terminaram a refeição quase na mesma hora. Ela olhou para ele e perguntou: – Gostou ? Ele respondeu: – Gostei ! No começo fiquei meio assim, mas gostei. E você ? Ela : – Nossa, adorei !

Na saída, cada um pagou a sua conta e se dirigiu a uma mesinha, onde havia um chá. Especialidade da casa. Ela disse: Não vai tomar ? Ele: – Vou experimentar.

Ao descer os degraus da escada, as pétalas de rosa já não o incomodaram mais. Achou até legal a ideia de receber os clientes com esse carinho. Ela descia logo atrás e se abaixou para pegar uma pétala. Lembrança de um lugar tão especial.

Ele se virou para ela e disse: – Tchau ! Ela falou : Tchau ! A gente se encontra por aqui. Ele disse: – Com certeza.

Quando entraram, tão diferentes; quando saíram, muito parecidos. Cada um seguiu para seu trabalho, já pensando no dia de voltar. Será que iriam se reencontrar?

PS – A história é fictícia, mas o restaurante existe. Se quiserem saber qual é, me escrevam: cestari.jau@uol.com.br

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