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Jaú: solidariedade no prato!

Projeto da Paróquia Santo Antônio já distribuiu 75.000 marmitas neste ano
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(Aline Campanhã) A solidariedade que envolve essa época de final de ano chegou muito antes na paróquia Santo Antônio. Há oito meses, grupos de voluntários junto ao Padre Armandinho preparam marmitas para serem entregues, diariamente, aos mais necessitados.

Antes da pandemia, algumas famílias já eram assistidas pela paróquia com cestas básicas, mas com a quarentena e o aumento do desemprego, o número de pessoas que clamavam por ajuda aumentou. Se 60 a 80 famílias precisavam de ajuda, em março esse número tornou-se 200. Com isso, a doação de cestas básicas ficou inviável e a solução para atender a todos precisou ser outra.


A alternativa, a princípio, foi substituir as cestas por kits alimentícios que duravam, em média, uma semana, assim conseguiriam atender a todos. A procura por auxílio não cessava, pelo contrário, crescia a cada dia e o medo de falhar com alguma família, por conta da falta de alimento, era real.

Surge a ideia
“Na missa virtual, do sábado de aleluia, no dia 11 de abril, eu fiz um apelo e demonstrei a minha vontade de fazer marmitas na Santo Antônio. Essa foi a ideia para conseguir ajudar todos aqueles que recorriam até nós, reclamando da fome e da falta de alimentos. Mas mal sabia eu, que na mesma data o Padre Armando, da São Benedito, também fazia esse apelo”, conta Padre Armandinho. Os dois padres juntaram a ideia, a São Benedito assumiu as marmitas do almoço, enquanto a Santo Antônio cuidava da janta. A ideia, a princípio, era de distribuir as refeições em apenas alguns dias da semana, mas dois depois, com um grande número de voluntários à disposição, o sonho de distribuir “quentinhas” todos os dias saiu do papel.

Nasce o projeto
O padre conta que o projeto começou com uma sacolinha de frango que tinha dentro do freezer, com muita ajuda da comunidade em doações e voluntariado, sendo assim até hoje.

Nara, uma das cozinheiras, diz com orgulho que, em média, 150 pessoas são alimentadas por dia. “No pico da pandemia chegamos a atender mais de 400, mas, hoje, esse número de refeições atende a todos que nos procuram”, revela a voluntária.

O cardápio é impossível de planejar, como revela Cássia, secretária da igreja, “a gente não consegue programar, pois não sabemos o que vamos ter na dispensa. Estamos sempre precisando de doação, mas pela providência divina nunca deixamos de entregar uma marmita”, Padre Armandinho ainda completa, “pode ser que nós não tenhamos comida para amanhã, mas temos para o hoje”.

Como funciona
O número de voluntários que trabalham nessa missão está em torno de 30. Eles se revezam em pequenos grupos ao longo dos dias da semana, chegam a cozinha por volta das 15h00 e só saem quando as últimas panelas forem lavadas, em torno das 19h30.

As marmitas são distribuídas de segunda a segunda, sem folgas, e qualquer um que sentir necessidade pode retirar. “Não há restrição, não há cadastro, não pedimos documento e não tem idade”, explica o religioso que conta as experiências já vivenciadas com as entregas das refeições, “nós começamos a fazer o projeto pensando nas pessoas mais pobres que não tinham condições de comprar os alimentos, mas, no meio do caminho, nos deparamos com outras situações que também são complicadas e precisam de atenção.”

Os alimentos, em sua maioria, são doações. As quermesses, que acontecem na paróquia, também ajudam, monetariamente, na manutenção das refeições gratuitas.

O voluntariado
Nara, Marisa e Paulo são responsáveis pelas marmitas de terça-feira. Desde o meio da tarde, o trio já estava a postos na preparação do alimento. O cardápio do dia era de dar água na boca, com arroz, feijão, frango assado e batata com maionese, a comida estava pronta e embalada às 19h, quando os assistidos começaram a formar fila. Com distanciamento social, máscaras e álcool em gel, a distribuição segue os protocolos de higiene para não colocar a vida de ninguém em risco.

Nara, que antes do projeto existir já fazia marmitas em casa para distribuir aos necessitados, diz não ter palavras para expressar o que o voluntariado significa, “não dá para expressar, eu amo cozinhar e fazer comida para quem tem fome me faz feliz”. Marisa concorda e se mostra emocionada ao contar sobre o projeto, “estou aqui desde abril e é um prazer. A gente faz um pouco de tudo dentro da cozinha, aprende e ainda ajuda quem tanto precisa”.

Desde abril, no início do projeto, até a divulgação da matéria, 75.000 marmitas foram entregues.

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