Blog do Moraes

04 anos sem João Kurk

No post de hoje, Moraes fala um pouco sobre João Kurk
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“O pessoal que curte rock em Jaú é bem maior que das outras cidades. Melhor que isso, entendem de rock. Posso perceber nitidamente a diferença da reação do público quando tocamos um rock “lado B” em outras cidades em comparação à Jaú. “ (João Kurk)

Há quatro anos perdíamos João Kurk. Dia 11 de agosto de 2.017 Kurk morreu dormindo.

A notícia caiu que nem uma bomba no cenário de bandas, bares e casas noturnas de São Paulo. João Kurk era figura carimbada na noite paulista e do interior desde o começo dos anos 80.

João começou nos anos 60 a se apresentar, nos anos 70 teve uma banda de rock progressivo Terreno Baldio, deu uma parada e nos anos 80 se enveredou no mundo cover do rock ´n roll. Participava de comerciais. Era uma figura marcante no cenário.

Aqui em Jaú, ele começou a se apresentar em 2.003 no General com o Rockover.

Lembro até hoje que no primeiro semestre de 2.003, o General não estava em boa toada e tínhamos fechado o Rockover (ledo engano – 28/06).  Foi quando tivemos a “incrível ideia” de  desmarcar o Rockover para colocar um trio de forró.   Lembro-me do Rodrigo ligando pro João e ele só ouvia. Um silêncio e o Rodrigo balançando a cabeça   no sentido vertical.

Bicho, o cara (Kurk) não deixou eu desmarcar de jeito nenhum” Graças aos deuses do rock ´n roll Kurk insistiu conosco e o Rockover virou uma febre na cidade. A segunda vez do Rockover ocorreu em um dia triste para nós. Foi no exato dia que Rodrigo Alf da Rádio Patrulha faleceu em decorrência de um acidente automobilístico. Agosto de 2.003.

Lembro que a banda disse: “Ao invés de fazer um minuto de silêncio, vamos fazer um rock ´n roll para o Rodrigo”. Muito marcante.

Em julho de 2.006, show do Claudio Zolli no General. E no longe, a estreia do Duo Bird com outro lendário dos rocks Giba San.

O Claudio Zoli, monstro da black music, fez um show ridículo. Veio com um percussionista só. Fomos enganados. Mas como bons sortudos, tínhamos a estreia da dupla no lounge. E foi o que segurou a noite.

Duo Bird virou febre no Santinho. As conversas com Kurk e Giba na cozinha do Santo pós shows eram inigualáveis.

Em 2.012 ou 2.013 Kurk me ligou e disse “Menininho, sai do armário”. “O loco Jão”. Sai do armário, tô lançando o Mr. Kurk”. Era a notícia da nova banda, nova formação e a conversa para o lançamento do Mr. Kurk.

Em 2.016 João tinha completado 50 anos de rock ´n roll. E o General fez parte da comemoração.

Um mês antes de ele falecer me ligou perguntando do General que tinha acabado de fechar as portas, batendo papo, torcendo pra nossa volta em outro lugar e assim vai… Um mês depois Kurk partia para cima.

João Kurk entrava muito no imaginário das pessoas. Era o Gandalf do Senhor dos Anéis. Era o papai do rock ´n roll. Era o Vovô do Rock que todos queriam ter em casa.

E talento nato. Cantava, tocava violão, guitarra, gaita, flauta… E no final, com a voz mais baleada, fazia coreografias impagáveis das músicas.

Era um cara super acessível. Atendia todos no camarim. Era muito querido.

Emblemático para mim e para todos que acompanhavam, após quatro meses que o General  fechou, perdermos o Kurk.

No link abaixo, uma entrevista com o João Kurk que fiz em 2.010. A primeira entrevista do meu blog. Ele tinha acabado de lançar o Rockstock.

Na entrevista Kurk fala das primeiras bandas, do Terreno Baldio, como era o rock na ditadura dos anos 70, as suas bandas covers

Clique aqui para acessar a entrevista

Neste link,  matéria da estreia do Mr. Kurk no palco do General.  Ai fiz um apanhado da carreira dele desde a banda Islanders, Terreno Baldio até o Mr. Kurk.