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Som do Mundo – O que você está escutando de novo? por Eli Muzamba

Eli Muzamba - Publicitário, compositor e vocalista

O QUE VOCÊ ESTÁ ESCUTANDO DE NOVO?

Eli Muzamba

A terceira edição do O que você está escutando de novo da coluna O Som do Mundo, tem um novo convidado – o publicitário, compositor e vocalista Eli Muzamba.

Eli é Muzamba porque nasceu em Muzambinho em Minas Gerais e reside em Campinas.

Quem não se lembra do intrépido vocalista da banda Jet Set que tanto se apresentou no General e mais recentemente no Barban? Sim, é ele mesmo!!

 

Eli dá dicas de 5 obras da Neo Psicodelia!  Viaje com Eli Muzamba nesta terceira edição do  O que você está escutando de novo?

 

O QUE VOCÊ ESTÁ ESCUTANDO DE NOVO – Parte 3

Dentre os sons que estão sendo produzidos atualmente, ao invés de reverberar o mesmo discurso de que não se faz mais música como antigamente, prefiro, e sempre preferi, garimpar os conceitos musicais de cada época que sucedeu minha adolescência, pois do contrário tendemos a achar que as músicas de nossa adolescência são (foram)o melhor período da música.

A adolescência é o período de formação de nossa persona, e enquanto ainda não sabemos como se constrói uma, bem como nossos gostos e opiniões próprias, acabamos por ficar abertos, permeáveis e necessitados de heróis que se pareçam conosco, e com isso, os ídolos que estão em voga, as roupas, as gírias, a música daquele período se torna um manifesto de nosso tempo específico.

Assim foi com Elvis e James Dean, depois com Beatles e Stones, com John Travolta e os embalos de sábado à noite, com a enxurrada criativa dos anos 80, com os punks de camisa xadrez do grunge. E isso se repetirá infinitamente enquanto o mundo for mundo.

O discurso de negação do modo de ser dos pais sempre existirá, e num período em que a ostentação e a necessidade de resultados ferve os miolos dos adultos, não é perfeito que surgisse um estilo musical que fosse uma espécie de arcadismo, escapismo, bucolismo estoico? Pois bem, talvez sem exatamente essa intenções, mas em muitos momentos resvalando nessa sugestão de desligamento de uma realidade opressiva, surgiu a neo psicodelia.

Nas letras, há desde a sugestão de consumo de substâncias atenuantes até o tratamento nu e cru da morte, e o questionamento do quê realmente faz sentido para você. E se observarmos a forte negação de imposições que os jovens contestadores da geração atual transmitem, a Neo Psicodelia caiu como uma luva.

Há uma miríade de bandas, mas eu diria que a banda que capitaneia este conceito, perfazendo todos os referenciais, é o Tame Impala. Banda australiana de Perth.

Mas muitos outros artistas têm esse discurso, e por isso selecionei 5 discos para entender a neo psicodelia, em sua complexidade, riqueza e criatividade absolutamente explosivos.

 

Tame Impala – Innerspeaker:

Os três primeiros discos dessa banda são fundamentais, mas o álbum de estréia já é uma explosão de criatividade, levadas de bateria insanas e melodias refinadas. O disco já abre com a hipnótica “It’s Not Meant To Be” e ainda poderia destacar o convite de “Why Won’t You Make Up Your Mind?”

MGMT – Little Dark Age:

Alguns podem discordar quanto ao disco, pois todos são pesados no sentido de letras estranhas e chocantes, mas a porrada de assistir o clipe de “When You Die” é uma experiência inesquecível.

Clipe When You Die

https://www.youtube.com/watch?v=tmozGmGoJuw

 

Kevin Morby – Harlem River:

De estilo e sonoridade mais acústica, com menos teclados e reverbs, mas envolto numa áurea mágica, a faixa título deste disco é incrível. Perfeita para embalar sucessivas noites em volta de uma fogueira ou observando estrelas numa viagem para as montanhas.

Courtney Barnett & Kurt Vile – Lotta Sea Lice:

Apesar de terem carreiras independentes com discos ótimos, a dupla se reuniu para a gravação deste disco e o resultado foi magnético. A faixa que abre o disco “Over everything” tem um clipe PB maravilhoso que me capturou imediatamente  e o carisma dos artistas explode ali na inversão de vozes absolutamente hilária e a fotografia maravilhosa em meio à chuva de guitarras que vai aparecendo na música. Uma obra prima do estilo. Como segundo destaque a singela e perfeita “Continental Breakfast”.

 Clipe Over Everything

https://www.youtube.com/watch?v=3KNsBCf34fQ

 

Devendra Banhart – Cripple Crow:

No que diz respeito às letras, este artista venezuelano poderia ficar de fora da lista, mas por respeito à sua obra genial, precisei coloca-lo aqui. Ele canta em português, espanhol e inglês, e sua obra é vasta e variada. Há discos experimentais insuportáveis, mas começando por este e gostando, você acabará resvalando em Smokey Rolls Down Thunder Cannyon e por aí vai. Destaco a música que é quase uma oração “I heard somebody say”

Se não fosse o surgimento deste estilo, eu não teria me inclinado para o estoicismo, não teria aprendido a administrar meu stress e não teria me sentido convidado e capaz de gravar meu disco novo.

Agradeço a inspiração destes artistas pelo quanto eles me motivaram a criar.

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