Sebozura por Orselli

O jornalista e advogado Antonio Orselli fala sobre o fim da banda Sepultura mas de um jeito peculiar e controverso. Imperdível!!

Sim, eu sou uma das viúvas do Max Cavalera!

Apesar do anuncio do fim do Sepultura feito recentemente e que deverá inaugurar a última turnê mundial dos caras, há anos tem se falado sobre o encerramento das atividades da banda. E esses comentários vem das “viúvas de Max Cavalera”.

O termo se refere ao fato de que os fãs mais antigos, principalmente os acima de 40 anos, acreditarem que a banda deveria ter acabado em 1996.

Cara, eu tinha 24 anos quando o líder do grupo deixou a banda. Foi como se a melhor banda de thrash metal do mundo estivesse esfarelando, exatamente quando eu comecei a gostar daquele tipo de som.

Minha primeira reação foi de ódio, pois todas as notícias eram de que o Max teria ficado “xarope” e se achava melhor que os demais integrantes (o que depois se comprovou ser verdade).

Fato é que após a saída de um dos principais fundadores do Sepultura, a banda seguiu caminhos bem diferentes do que vinha trilhando até então.

Os últimos dois trabalhos eram referência no mundo metal: os poderosíssimos Chaos A.D. e Roots, sendo o primeiro, considerado o pai do Nu Metal, ou New Metal, como queiram.

Com a saída do Max, a banda voltou mais próximo do que fazia nos tempos de “Arise”, abandonou os tambores e ritmos diversos do mundo metal, e se aproximou cada vez mais dos discos temáticos (que eu acho meio fora da curva, mas enfim), e se encolheu, vivendo à sombra do que já tinha sido um dia. Podem ficar bravos comigo, mas é verdade.

Com exceção de “Quadra”, que é sensacional e botou os caras de novo no circuito dos grandes festivais, todos os outros trabalhos são apenas “bons discos”, mas não conseguiram repetir as façanhas em vendas daqueles dois petardos de 1993 e 1996. De fato, ultimamente a banda vinha surfando no sucesso que ganhou nos anos 90, e só. E por isso, Max Cavalera sempre que pode, e quando não pode também, afirma que a banda deveria ter mudado de nome ou acabado.

Enfim, e pra que tô falando tudo isso? Pra dizer que como boa viúva, curti o luto durante a única passagem da banda em terras jauínas em 15 de maio de 2009. Ou seja, não fui ao show.

Conheci o Sepultura em 1989 com o disco “Beneath the Remains”. O disco ficou em casa uns dias, pra que eu pudesse gravar um k7 (coisa do século passado). Puro metal, embora nessa época eu só ouvisse som punk. E só mesmo.

Eu e muitos outros, chamávamos o grupo de “Sebozura”, só pra tirar uma com a cara dos metaleiros, que na época, se vestiam a caráter em pleno domingo, três da tarde: jaqueta de couro, calça suja e rasgada, coturno, anéis, pulseiras, espinhos, pregos e tudo mais que pudesse assustar.

Mas aí o som começou a ficar mais próximo do que gostava. “Arise” foi uma pedrada, e o que veio depois, vixe.  Os gringos ficavam doidos com a criatividade dos meninos de Minas Gerais.

Se essa íngua do Max não tivesse jogado tudo pro alto, se achando a última bolacha do pacote, com certeza o Sepultura seria tão grande quanto Metallica ou Megadeth. Talvez até maior, mas, a Diva do Irajá queria arrumar confusão, e conseguiu.

Assim, em 15 de maio de 2009, como um ex-namorado que não quer ver a ex nos braços de outro cara, resolvi não ir ao show marcado para o Aero Clube. Se eu não estiver enganado, me corrijam, o Angra tocou na mesma noite. E pra me torturar, o som do show dava pra ouvir nitidamente em casa. Enchi a cara ouvindo os discos do Sepultura com o Max no vocal, enquanto resmungava sobre o quanto a banda deveria ter acabado.

Engraçado, hoje além de ter voltado a ouvir Sepultura, estou estudando a possibilidade de ver os caras em Uberlândia ano que vem. Mas nunca deixarei de ser uma das viúvas do Max.

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