Um novo levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), realizado em parceria com a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), revela que 37,8% dos casos de câncer registrados no mundo estão relacionados a fatores evitáveis. O estudo, publicado na revista britânica Nature Medicine, analisou dados de 185 países e 36 tipos de câncer, incluindo pela primeira vez nove infecções associadas à doença.
Para o oncologista clínico e coordenador do setor de Oncologia Clínica do Hospital Amaral Carvalho (HAC), Alexandre Tobias, os dados reforçam uma mensagem central: é possível agir antes do diagnóstico. “A população tem a chance de ser protagonista do cuidado de sua própria saúde, buscando evitar hábitos que a ciência já comprovou que estão relacionados ao risco de contrair câncer, como tabagismo, consumo excessivo de álcool e obesidade”, afirma.
Segundo o estudo, o tabagismo lidera como principal fator prevenível, responsável por, aproximadamente, 15% dos novos casos globais. Em seguida, aparecem as infecções (10%) — como as causadas por HPV, hepatites virais e Helicobacter pylori — e o consumo de álcool (3%). Entre os cânceres mais associados a causas evitáveis estão pulmão, estômago e colo do útero.
Fatores de risco e hábitos de vida
Na prática clínica, Alexandre Tobias observa que muitos dos principais fatores de risco estão diretamente ligados ao estilo de vida. “O tabagismo é o principal deles, seguido da obesidade. Destaco ainda dois pontos que vejo muito em minha rotina: a baixa adesão da população brasileira à vacinação contra o HPV — que pode ser um fator protetor contra vários tipos de câncer, como colo de útero e orofaringe — e a alimentação baseada em muitos alimentos ultraprocessados, que possuem grande carga de produtos químicos e conservantes”, explica.
O levantamento também evidencia diferenças regionais e de gênero. Entre os homens, os fatores evitáveis representam uma parcela maior dos casos, com destaque para o tabaco. Já entre as mulheres, as infecções — especialmente pelo HPV, associado ao câncer do colo do útero — lideram como principal causa prevenível em grande parte dos países, incluindo o Brasil.
De acordo com o oncologista, investir em prevenção traz benefícios que vão além da redução do risco de câncer. “A busca por bons hábitos de vida traz uma série de ganhos: além de diminuir o risco de incidência de cânceres, também reduz o risco de doenças cardiovasculares e diabetes. Tudo isso leva a uma perspectiva de vida melhor e com mais qualidade”, ressalta.
O papel das instituições de referência
Embora hospitais oncológicos atuem prioritariamente no tratamento de pacientes já diagnosticados, seu papel na prevenção e na conscientização é estratégico. No Hospital Amaral Carvalho, o cuidado é integral e profundamente humanizado, abrangendo desde o diagnóstico até ações educativas junto à comunidade.
“Somos focados no tratamento, mas sabemos que são fundamentais a promoção da prevenção e a conscientização da população. Para isso, temos vários programas de prevenção que nos ajudam a divulgar informações para a população e participamos das campanhas temáticas durante todo o ano, como Fevereiro Laranja, Outubro Rosa e Novembro Azul”, destaca Alexandre Tobias.
Para o HAC, os dados da OMS reforçam que o enfrentamento do câncer passa não apenas por tecnologia e excelência assistencial, mas também por informação qualificada e escolhas individuais conscientes. Quando prevenção e cuidado caminham juntos, mais vidas podem ser preservadas com qualidade.