Trilogias no cinema são bem comuns e populares, mas existem algumas menos conhecidas ou bem pouco conhecidas que merecem ser vistas e é nisso que irei focar esse texto. Indicar ou falar sobre “Poderoso Chefão”, “Senhor dos Anéis” ou “De Volta para o Futuro” é tranquilo quando o assunto são trilogias, mas isso não quer dizer que eu não as recomende.
Só que prefiro indicar coisas diferentes mesmo.
E o termo “um pouco mais” do meu título, é para mostrar que muitas vezes, sagas são vítimas de seu próprio sucesso e qualidade e o que era para ser somente uma trilogia, acaba virando um mar de continuações desnecessárias.
E é por uma dessas que eu começo. A trilogia “Bourne” surgiu com tudo no inicio dos anos 2000 trazendo um Matt Damon muito bem em uma frenética trama de espionagem sobre um agente secreto que acaba perdendo a memória e precisa ir atrás de seu passado para saber quem ele realmente é. Começou com o bacana “A Identidade Bourne”, mas ganhou um up de qualidade quando Paul Greengrass assumiu a cadeira da direção em “Supremacia Bourne”. Mas o que ele faz em “Ultimato Bourne” é para poucos.
Um filmaço de ação com qualidade técnica impecável, e uma trama que te prende no sofá. Tranquilamente um dos meus filmes de ação preferidos. Mas aí que vem o problema.
Matt Damon e Paul Greengrass não queriam voltar para a franquia e coube ao bom diretor Toony Gilroy e do astro em ascensão Jeremy Renner, estragar a franquia com “O Legado Bourne”. Sim, um filme de Bourne sem Bourne.
A franquia se encerrou com um bacana 5º filme chamado “Jason Bourne” com o retorno da dupla do segundo e terceiros capítulos da franquia, mas mesmo sendo bom, é desnecessário e a saga poderia ter se encerrado com uma belíssima chave de ouro em “Ultimato”. Sempre coloco aqui onde se encontram os filmes, mas ao indicar 3 ou 5 de uma vez, acaba sendo maçante para eu procurar.
Mas vocês encontram todos esses 5 filmes na Shock Vídeo Café.
Sempre tem algum filme que me inspira ou que me dá a ideia de compor um texto e, nesse caso das trilogias, a saga que me deu uma luz, foi a Trilogia do Pai do cineasta taiwanês Ang Lee.
Conhecido por obras como “O Tigre e o Dragão” e “O Segredo de Brockeback Mountain”, ele iniciou sua carreira em seu país de origem com “A Arte de Viver” de 1991, “O Banquete de Casamento” de 1993 e de “Comer Beber Viver” de 1994. Os três são ótimos, mas com destaque para o segundo e terceiros filmes da saga, que usa quase sempre o mesmo elenco, mantendo sempre o ator que faz o pai das tramas, interpretado por Sihung Lung. No segundo filme da saga, ele acaba dividindo o protagonismo com a mãe, mas nas outras duas obras, ele é a figura central da trama, já que não temos mães na trama, quer dizer, pelo menos não como esposa do pai que ele interpreta.
E apesar de seus quase quarenta anos, as tramas dos filmes envolvem temas ainda hoje debatidos e não compreendidos por muitas pessoas. Tudo gira em torno de paternidade, mas temas como a valorização da mulher no mercado de trabalho, o cuidado com idosos, relacionamento entre idosos, o fato da mulher ter que casar e não ficar solteira, a aceitação de pais com filhos homossexuais entre outros, dão o tom desses filmes que navegam entre comédia e drama. Ah, e outra coisa que todos os filmes têm em comum, é o fato de ter muita comida boa e gente cozinhando a todo momento! Ótimo!
Disponível em: Shock Vídeo Café.
A trilogia do antes já foi minha trilogia preferida do cinema e depois eu explicarei por que era. Era, e não é mais, mas não por algum tipo de demérito, já que estamos falando de filmes absurdamente lindos e maduros que tratam do começo, meio e amadurecimento de um relacionamento que se inicia meio que sem querer em um trem na Europa. “Ante do Amanhecer”, “Antes do Pôr do Sol” e “Antes da Meia-Noite” é dirigida e roteirizada pelo ótimo Richard Linklater.
Se conhecendo na Europa e concretizando a relação já nos EUA, o casal protagonizado por Etah Hawke e Julie Delpy carregam sozinhos as três tramas de maneira impecável. É impressionante como eles estão bem nas obras e muitas vezes nem precisam de coadjuvantes. Eles imperam na tela. Meu filme preferido é o segundo, inclusive, vi ele antes de ver o primeiro filme e vi novamente quando fui completar a trilogia quando comprei o terceiro filme.
Ter visto “Antes do Pôr do Sol” somente duas vezes é um pecado. Um filme excelente e curto. Na verdade, toda a trilogia deve ser vista e revista sempre que possível. É um belo exemplar de ótimas atuações e ótimos roteiros.
Disponível em: Shock Vídeo Café (somente os dois primeiros).
Encerro com o que se tornou a minha trilogia favorita do cinema. Dirigida pelo recém aposentado Michael Haneke, temos aqui três dramas pesadíssimos!! Não por acaso, a saga é conhecida como Trilogia da Frieza e assim como a Trilogia do Pai, as tramas de cada filmes não se conectam uma com a outra, a não ser o fato da “frieza” de seus personagens.
“O Sétimo Continente” de 1989, “O Vídeo de Benny” de 1992 e “71 Fragmentos de uma Cronologia do Acaso” de 1994, formam a santíssima trindade dos filmes envoltos em uma trilogia, na opinião desse que vos escreve. Filmes extremamente provocativos e que incomodam. É impossível você se conectar com algum personagem, pois todos são meio escrotos.
Mesmo as crianças de “O Sétimo Continente” ou o adolescente de “O Vídeo de Benny”, quer dizer, se alguém tiver alguma afeição a esse personagem, por favor, me evitem. E meu filme preferido dessa trilogia é “71 Fragmentos de uma Cronologia do Acaso”.
E esse título não é à toa, já que o filme é feito com 71 cenas que mostram uma trama envolvendo a rotina de personagens de uma cidade, culminando em um final bem para baixo, assim como é bem comum na filmografia de Haneke.
Vi essa trilogia há pouco tempo, apesar de ser a que se iniciou há mais tempo.
E foi aí que ela se catapultou para o pódio das minhas trilogias.
Apesar de indicar 4 trilogias (e um pouco mais), foram 14 filmes relacionados nesse texto. Se eu tiver que colocar um defeito em trilogia, seria o fato de que, mesmo não havendo conexão nas tramas, deve-se ver todos os filmes.
Algumas trilogias acabaram ficando de fora desse texto por não ter visto um, dois ou nenhum filme da saga. Mas tudo bem. Não se pode ver tudo. Ou pelo menos não se pode ver tudo de uma vez.
Enquanto vocês assistem esses filmes, eu estarei vendo outras sagas de trilogias e indicando cada vez mais coisas por aqui!
Boa sessão e até a próxima.