Provavelmente você já assistiu filmes dos Estados Unidos, Inglaterra, Brasil, Itália, Espanha, França, Argentina e México.
Esses países tem uma maior disponibilidade de filmes em streamings, cinema e locadora, além de atores, atrizes, diretores e diretoras de renome. Mas existe vida inteligente no cinema de países mais periféricos. Um dado interessante, para esse ano de 2026, 86 países tiveram filmes elegíveis para o prêmio de Melhor Filme Internacional no Oscar. Países como Madagascar e Papua Nova Guiné, enviaram seus candidatos pela primeira vez.
Confesso que dificilmente irei assistir esses filmes, mas sempre procuro países alternativos para conhecer suas obras. Peguem seus passaportes, apertem os cintos e bora embarcar nessa viagem!
Bora começar pela América, mais precisamente, na ilha de Cuba. Vale ressaltar que aqui não haverá nenhum comentário sobre questões políticas do país. A única coisa em questão aqui é o filme, obviamente que questões políticas acabam fazendo parte da construção do filme, mas só. E além de ser um ótimo filme, “O Tradutor” tem um motivo a mais para ser conferido pelos brasileiros, já que ele é estrelado pelo internacionalmente conhecido e respeitado, Rodrigo Santoro. E é um filme belíssimo que fala de um professor de cubano que ministra aulas de literatura russa, interpretado por Santoro, que começa trabalhar como tradutor para crianças vítimas do acidente nuclear de Chernobyl.
Apesar de tocar em assuntos como o colapso da União Soviética e do bem sucedido sistema de saúde cubano, o filme não se aprofunda nessas questões políticas, focando nas questões humanas, que vamos lá, é o que realmente importa. Destaque total para a interpretação de Santoro. O cara manda bem demais e sabe segurar o protagonismo em uma história que requer muita sensibilidade do ator.
Esqueça qualquer questão política e se emocione nessa maravilhosa história real.
Disponível em: no bom e velho: lugar nenhum! Mas vi no TELECINE.
Agora é hora de cruzar o atlântico e desembarcar na África, provavelmente o continente mais difícil de se assistir um filme.
Pouquíssimas coisas chegam por aqui e, quando chegam, devem ser aproveitadas. Provavelmente mais conhecido pelo jogador Diddier Drogba (que quase jogou no Corinthians, mas faltou combinar com o mesmo), minha próxima indicação vem da Costa do Marfim. Coprodução com a França, “Noite de Reis” é uma ótima pedida para quem gosta de filmes passados em prisões. E aqui também tem Brasil, pois além de ser citada a cena da perseguição das galinhas em certo momento do filme, se não me engano, um dos personagens é apelidado de Zé Pequeno e também tem o fato do diretor marfinense, Phillippe Lacôte, ser fã das técnicas utilizadas por Fernando Meirelles em “Cidade de Deus”. Sim, nosso cinema é foda e referência no mundo todo.
Como já disse, o filme é passado em uma cadeia, no meio de uma floresta do país e em constante estado de ebulição, já que por ali não existem muitas regras e tudo é comandado pelos próprios prisioneiros. É um drama, não um filme de ação, isso precisa ficar claro. E eu considero isso algo extremamente positivo.
Disponível em: GloboPlay.
Agora o rolê vai para o Oceania.
O menor dos continentes também não oferece uma grande variedade de filmes. A Austrália eu nem vou contar, pois é o país de origem da saga de Mad Max. Mas vocês sabiam que a trilogia do “O Senhor dos Anéis” é considerado um filme neozelandês? Pois é, essa coisa de origem do filme é bem burocrática e envolve muitos fatores que na boa, eu nem sei explicar direito. Mas há uma grande representa do cinema da Nova Zelândia, sempre entregando ótimos filmes.
A diretora Jane Campion também faz filmes nos Estados Unidos, como o ótimo “Ataque de Cães”, mas vou indicar o filme que alavancou a carreira da diretora, no caso, o premiadíssimo “O Piano”. O instrumento é o elo de ligação entre uma mulher prometida de casamento com um ricaço e seu amante. O filme tem uma curiosidade muito interessante.
A atriz Anna Paquim (A Vampira de X-Men), venceu o Oscar de Atriz Coadjuvante aos 11 de idade, se tornando assim, a segunda atriz mais nova a receber um prêmio, ficando somente atrás de Tatum O’Neal, que aos 10 anos de idade ganhou o prêmio, na mesma categoria, pelo filme “Lua de Papel”, isso no ano de 1973. Ou seja, tem muita qualidade em “O Piano”!
Disponível em: Shock Vídeo Café e Acervo Próprio.
Agora vamos para a Ásia.
Filmes do Japão, Coréia do Sul e até da China, são bem comuns, mas se tem um país que é o oposto, esse país é a Arábia Saudita. “O Sonho de Wadja” além se ser o primeiro filme inteiramente filmado no país, tem a audácia e ousadia de ser dirigido por uma mulher. Essa heroína é Haifaa Al-Mansour. Pare de ler esse texto, aplauda essa mulher, e agora continue a leitura. Wadja é a uma garota muito simpática e a protagonista do filme. Ela usa um All-Star por baixo de suas roupas típicas e tem o sonho de comprar uma bicicleta verde para competir com seu melhor amigo, mas precisa se virar para conseguir a grana. Mas ela da um jeito!
Esse filme nem parece que é passado na Arábia Saudita, um país que contém bastante restrições a liberdade das mulheres. Mas Wadja está acima disso! Ela usa seu All-Star e tem um sonho. Esse filme esbanja carisma e positividade! Um marco na história do cinema e não só da Arábia Saudita.
Disponível em: Shock Vídeo Café e Reserva Imovision.
Para finalizar, vamos para a Europa.
Lá, o cinema é mais consolidado e os filmes produzidos por lá, acabam tendo uma distribuição maior. E no ano passado assisti o meu primeiro filme da Estônia. “Verdade e Justiça” é uma epopeia familiar de um homem que chega em um local onde a terra não é muito boa para prover comida e o sustento para sua família que a ser constituída. Além disso, tem o problema com um vizinho bem xarope, para não escrever outra coisa.
Ao longo de quase um quarto de século, podemos conferir as conquistas, perdas, dramas e momentos felizes na vida do protagonista. Uma trama muito parecida com a de “Cimarron”, um baita clássico do cinema dos Estados Unidos, que acompanha a saga de uma família por 40 anos. Muda-se o local, mas mantém a qualidade. “Verdade e Justiça” é elogiadíssimo e quase esteve na minha lista de melhores filmes do ano em 2025.
Disponível em: Amazon Prime.

Comecei escrever esse texto sem muita pretensão e no fim das contas, acabei pensando em colocar um filme de cada continente.
Filmes que acabam sendo riquíssimos de cultura e identidade local. E cinema tem esse papel também. Mostrar realidades, seja para questionar algo ou exaltar seu país.
Fiquei feliz em escrever esse texto, vários outros países poderiam ser incluídos aí, mas é de muito bom nível o que foi citado.
Então, boa sessão e até a próxima!