O roteiro para tal “noite mágica” que coloquei no título, já estaria em altíssimo nível ao sabermos que essa seria a última partida em Copas de Cristiano Ronaldo ou de Luka Modric. Dois ídolos dessa geração e que marcaram época juntos em um dos mais vitoriosos times do sempre muito vitorioso Real Madrid.
Além disso, o jogo aconteceu na véspera da data em que lamentamos um ano do trágico acidente que acabou tirando a vida do jogador Diogo Jota e seu irmão. Diogo estaria jogando naquela noite e muito provavelmente como titular.
Noite de emoção pelas despedidas e por quem teve que se despedir cedo demais.
O primeiro tempo da partida não se mostrou digna da grandiosidade que ela tinha envolta. Um 0x0 que mostrava o futebol pobre e decepcionante de duas seleções que prometiam muito mais no inicio da competição.

A virada de chave já veio logo aos 8 minutos do segundo tempo, quando Ivan Perisic abriu o placar para os croatas. Era o estopim que a partida precisa. Aos 16 minutos, um gol anulado de Cristiano Ronaldo, que estava um ombro a frente de seu adversário e seria um golaço. Mas logo depois ele marcou seu primeiro gol e mata-mata de Copas, em um pênalti batido no meio de forma segura e conservadora.
O que se esperava a partir daí, foi o famoso “Deus nos acuda”. Aos 36 minutos, foi a vez da Croácia ter um gol anulado por um ombro. Na checagem do VAR, Cristiano Ronaldo é substituído por Ruben Neves. A cara de CR7 mostrou que ele não queria ter saído. Ninguém nunca quer sair, imagina em sua última partida um cara que sempre primou pela competividade ao extremo.
Aí veio o que faz desse evento ser o maior evento esportivo do mundo (me desculpe, olimpíadas), e o que faz esse esporte ser apaixonante e quase que masoquista.
Um gol de cabeça de Portugal aos 49 minutos. Seriam 10 de acréscimos, mas aos 13 do tempo adicional, a Croácia empataria. Mas não empatou. Culpa da tecnologia. O que constou que houve um desvio no jogador croata, que deixou seu companheiro impedido, foi um chip instalado na bola. E numa imagem que parecia de um eletrocardiograma, foi acusado um pequeno desvio. Um leve toque na bola. Acho que até no cabelo. Impressionante. Um desfecho diferente de tudo já visto. Um desfecho digno de uma noite especial.
No fim das contas, o sereno, pacato e tranquilo Modric foi que se despediu das Copas do Mundo. E caiu como um líder. Não parecia que ele não iria mais viver esses momentos que só uma Copa do Mundo pode proporcionar. Não parecia que ele voltaria para a casa em uma fase bem mais prematura do que a semi e a final em 2022 e 2018, respectivamente.
Modric abraçou e consolou seus companheiros. E foi abraçado e consolado por seus adversários. Um gigante do futebol mundial e com uma história de vida maravilhosa, repleta de reviravoltas, tipo a partida de ontem. Uma vida resumida em uma partida. Pois apesar do resultado negativo ao final do jogo, Modric foi ovacionado.

