Fala Fer!

E para você, é fim ou recomeço? Primeiro artigo da Fer Ubaid no Jauclick

Fim ou recomeço
Jornalista Jauense Fernanda Ubaid começa hoje a escrever para o Jauclick. De cara pergunta sobre o fim de ano: é fim ou recomeço?

O fim do ano se aproxima e é inevitável olhar para trás e fazer a nossa retrospectiva. Para alguns, pode parecer cedo. Afinal, são tantos compromissos na vida sem pausa e na rotina atribulada, para que pensar nas metas que não foram cumpridas se daqui a pouco vamos ter que fazer outras igualmente inatingíveis? Para outros, a dificuldade em relembrar o que aconteceu reside justamente nas dores que o último ano trouxe. Aliás, dores que os dois últimos anos trouxeram. 2020 e 2021 mais pareceram início e continuação de um filme de terror péssimo, de mau gosto e assustador.

Mas, mesmo me arriscando a cair no clichê, acredito que olhar para trás seja fundamental para seguir em frente. Não digo no sentido de lamentar aquilo que não nos agradou ou nos fez sofrer. Muito menos viver agarrado às boas lembranças, mesmo que elas sejam a única forma de sobrevivência. Mas procurar entender o que nos aconteceu e por quê.

Este foi um ano particularmente desafiador pra mim. Foi um período de finalizações de ciclos. E mesmo sabendo que alguns finais são necessários, muitas vezes temos dificuldade em aceitar as mudanças que a vida nos impõe. Mas o único caminho, seja qual for a circunstância, é seguir em frente. Entender que tudo é temporário e que não temos controle de nada é consolador. Felicidade, tristeza, sucesso, fracasso…tudo é passageiro e cada fase traz um ensinamento. Saber que este exato momento não vai voltar, deveria ser o suficiente para nos incentivar a fazer o que tivermos vontade (sem magoar ou interferir na vontade do outro!).

Toda mudança externa também representa ou incentiva uma mudança interna. Seja uma forma diferente de encarar a vida ou o amadurecimento que vem com a dor. Mas a mudança não precisa ser necessariamente mostrada para o outro. Cada um sabe da própria angústia. Por isso, quem tem que acreditar é você. Acreditar e confiar em silêncio. Cultivar a espiritualidade, seja por meio de alguma religião ou na simples crença em algo maior, ajuda a enfrentar os momentos difíceis e saber que eles passam. Mas olhar pra dentro e acreditar em você mesmo, fortalece.

Como bem disse Guimarães Rosa, “a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem!”. É preciso força e coragem para desapegar daquilo que não tem mais propósito em nossas vidas, deixar pra trás velhas histórias para que possamos começar novos e mais empolgantes enredos. Eliminar o medo de um futuro incerto e a recordação de um passado ruim. O medo que paralisa é o mesmo que nos move a seguir em frente. É você quem escolhe qual você quer ouvir. Deixa a vida fluir. Como uma pessoa que não gosta de despedidas, garanto que para todo fim, há um recomeço.

Podem parecer palavras de um consolo barato para quem perdeu tanto nessa pandemia. Um amigo, um familiar, um negócio, um emprego ou até mesmo a esperança. Mas aceitar que tudo um propósito dá forças para seguir. Pelo menos pra mim! Por isso o convite para escrever no Jauclick, site que marcou a minha adolescência, não poderia vir em melhor hora. É aquele passado bom, que se reinventou no presente e espera o melhor pro futuro.

A mudança é fundamental para a evolução. Querendo ou não, a gente só evolui quando muda. Ninguém cresce permanecendo o mesmo e no mesmo lugar. A transformação é desconfortável e muitas vezes dolorida, mas vale a pena!

Para enxergar o presente com clareza é preciso soltar o que já foi e encarar a vida com leveza. Leve com você apenas as lições que te fizeram um ser do resto.

Não prolongue ciclos falidos pelas boas memórias que eles proporcionaram. Entenda que todo fim traz a benção de um recomeço. Carregue a fé de que tudo que é nosso chega até nós, fé no caminho mesmo que enxerguemos apenas o próximo passo, fé no encontro com as pessoas certas para o nosso aprendizado, fé que a nossa luz nos guie nesse trajeto. Que a gente saiba olhar pra trás com gratidão e a certeza de que tudo que veio, nos acrescentou algo. E que tudo que ainda virá, será melhor do qualquer coisa que já passou.

Fernanda Ubaid é jauense e jornalista

Segue lá no insta pra gente trocar uma ideia: @ferubaid

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