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Filmes que já sofreram algum tipo de censura em suas exibições

Arte que incomoda, regimes que censuram e filmes que marcaram a história. Do impacto de “Laranja Mecânica” às polêmicas envolvendo Chaplin, James Cameron e o terror nacional de Zé do Caixão, este texto explora como o cinema desafia limites e enfrenta a repressão.

Arte incomoda.

Não é novidade que artistas usem seus dons e trabalho para criticar um país, alguma situação ou momento do mesmo ou de algum outro lugar. Sendo assim, os incomodados, ao invés de se retirarem, acabam retirando esse instrumento de crítica de circulação ou o restringindo de alguma maneira.

E as vezes nem é por crítica, apenas por um falso moralismo de ditadores, políticos ou chefes de estado. E ainda bem que eu não estou censurado e posso escrever e indicar bons filmes para vocês.

Bons não. Começarei com o que eu acho o melhor filme de todos os tempos! Não sei se mundo a fora ocorreu o mesmo, mas aqui no Brasil “Laranja Mecânica” passou alguns perrengues em seu lançamento e suas exibições. Lançado originalmente em 1971, o filme só teve uma versão mais próxima do original somente dez anos depois. Até então, o filme era exibido com cortes nas cenas mais violentas e com bolinhas pretas para tampar as partes intimas de atrizes e atores.

Sentiram a incoerência aí? O violento regime ditatorial brasileiro não queria que as pessoas vissem cenas de violência…. quer outra incoerência? Ver partes intimas das atrizes não podia, mas enfiar animais nelas como forma de tortura, tudo bem? Oxê. E “Laranja Mecânica” poderia ser um filme legal para os senhores militares / ditadores brasileiros, já que a obra toca muito no assunto do cerceamento do livre arbítrio das pessoas.

O filme também foi proibido para menores de 18 anos. Até aí tudo bem, já que realmente há cenas impactantes de violência e sexo. Eu vi esse filme bem antes dos meus 18 anos de idade. Inclusive, preciso rever. Disponível em: Shock Vídeo Café, acervo próprio e HBOMax.

Se tentaram boicotar um dos maiores filmes de todos os tempos, isso ocorreu também ocorreu com uma das grandes obras de um dos maiores mestres do cinema. “O Grande Ditador” de Charlie Chaplin não era visto com bons olhos pela galera que trabalhava para o ditador Getúlio Vargas.

Obviamente que um ditador se sentiria ofendido ao ver a imagem de um ditador sendo ridicularizada nas telonas. Censura nele!

Apesar do bigode de Chaplin ser uma de suas marcas registradas, ele também era visto na figura do ditador da Alemanha, principal criticado da obra.

E há quem diga que Vargas simpatizava com o bigodudo alemão. Seria esse um dos motivos da censura? Também havia o medo que o filme afetasse a segurança nacional!

E por ter sido taxado de subversivo e de flertar com ideais comunistas, o Pai dos Pobre e Mãe dos Ricos (Vargas era assim conhecido), preferiu fazer um ânus doce com esse filme.

Também diziam que o filme ridicularizava as forças armadas. Até por que, força armada que se preze, tem que pintar meio fio de calçada, não é? Disponível em: Shock Vídeo Café e acervo próprio.

Muito antes de afundar milhares de pessoas no gélido Oceano Atlântico no sempre espetacular “Titanic”, James Cameron teve problemas na exibição de “O Segredo do Abismo”, que eu confesso que nunca assisti.

No caso, entidades de defesa dos animais se revoltaram especificamente em uma cena onde ratos são literalmente afogados em pequenos recipientes cheios de água. Nas cenas não foram utilizados nenhum tipo de efeito especial e os ratos se debatiam desesperados, obviamente.

Sendo assim, e que seja claro, por um motivo devidamente justo, os órgãos regulamentadores do Reino Unido, exigiram que tais cenas fossem removidas das cópias que seriam exibidas em seu território. Será que nas cópias do Brasil aconteceu isso também? Será que na cópia que eu tenha em casa, tem essas cenas? Realmente não sei, e confesso que não ficarei sabendo, já que nem pretendo ver esse filme.

Disponível em: Shock Vídeo Café, acervo próprio e Disney+.

Durante o período em que a China foi governada pelo ditador Mao Zedong, muitos filmes foram censurados, por não se alinhar as ideologias do totalitarismo que imperava por ali. Sendo assim, uma das maiores obras produzidas pelo cinema até hoje, ficou restrita por lá. Estamos falando de “Ben-Hur”.

A principal restrição dessa obra aos olhos do regime, era uma possível propagando cristão que havia no filme, o termo usado na censura era o de “propaganda de crenças supersticiosas”.

Meu Deus! Só que assim, até hoje filmes com cunho religioso acabam tendo restrições nas exibições, ou seja, você pode ter dificuldades para assistir “Ben-Hur” na China em pleno 2026. Lamentável.

Disponível em: Shock Vídeo Café (menos na Shock Vídeo Café da China), acervo próprio (menos no acervo do André Denadai da China) e censurados em todos os outros setreamings também, por que não tem em nenhum!

Brasil censura brasileiro. Vê se pode, inclusive, é muito grande a lista de filmes brasileiros censurados durante a ditadura militar.

E essa lista tem muito das obras de José Mojica Marins. O criador do personagem Zé do Caixão foi amplamente censurado por aqui. José Mojica talvez tenha nascido na época errada e até no país errado. Ele não tem o devido reconhecimento de mestre dos filmes de terror que deveria por aqui. Seus filmes são exibidos e reconhecidos mundo a fora.

GÊNIO! Em letras garrafais!

Seus filmes incomodavam muito pelas cenas de violência, sexo e questionamentos religiosos. Era um cara muito a frente do seu tempo e isso incomodava os falsos moralistas fardados. Cortes eram comuns em seus filmes. Uma cópia do filme “O Despertar da Besta” foi encontrada em uma lata de lixo após ter sido apreendida.

Roteiros alterados com introdução de incentivos religiosos. Uma barbárie se formos pensar que eram “apenas” filmes. “Apenas”, pois se tratam das maiores obras do cinema de terror do Brasil. José Mojica deve ter inspirado muita gente fazer filme. Eu conheço menos do que deveria desse cara.

Por anos, a imagem que eu tinha dele era do apresentador do Cine Trash, que passava nas tardes na Rede Bandeirantes, onde se exibia filmes de terror, mas não lembro de ter vistos filmes dele mesmo nessa programação.

Para minimizar esse meu erro, comecei ver esse ano vários de seus filmes. Eu tenho 9 em minha coleção, em uma edição maravilhosa onde os filmes estão dentro de um caixão. Coisa fina e que faz jus ao criador e a criatura. Esqueça Gil e Caetano. Esqueça Chico Buarque. A ditadura militar tinha medo mesmo é do Zé do Caixão!

Espero não ser censurado, fui!

Boa sessão e até a próxima (se não me calarem).

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Foto de André Denadai

André Denadai

André é jauense, xvano, palmeirense e apaixonado por cinema e ele escreve periodicamente para o Jauclick.

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