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Trabalho e Cinema

Reflexões sobre trabalho no cinema com indicações de filmes que retratam lutas, desigualdades e a realidade de trabalhadores no Brasil e no mundo, conectando histórias marcantes ao contexto social contemporâneo.

A labuta diária de homens e mulheres atrás do pão de cada foi, por diversas vezes, foi tema de filmes de diferentes nacionalidades e gêneros. E nesse dia 1º de Maio, dia onde trabalhadores e trabalhadoras são lembrados, eu não poderia deixar de citar alguns filmes sobre o assunto. Tem muita coisa boa nessa lista e confesso que muitos filmes diferentes, coisas pouco conhecidas e que vale a pena se dar ao prazeroso trabalho de assistir cada um deles. Bora!

E vamos começar de Brasil, obviamente. Alguém pode até achar o contrário, mas o povo brasileiro trabalha demais! E em “Arábia” temos o exemplo de muitos trabalhadores brasileiros, que, para ganhar o seu trocado, faz de tudo um pouco e muitas vezes deixando uma vida para trás em busca de novas oportunidades em diferentes lugares.

No filme, temos um adolescente, aparentemente de classe média, que encontra os diários de um trabalhador acamado que ele nem conhece, e começa ler e se interessar pela epopeia que esse cidadão teve até chegar em sua cidade. Nessas lembranças e reflexões, o trabalhador questiona sua vida e o por que de tanto trabalho muitas vezes para nada ou apenas para sobreviver, além de mencionar as pessoas que acabou conhecendo nessa trajetória.

De romance a amizades e de momentos de descontração com muito Raul Seixas e coisas ilícitas, temos um filme singelo, simples e pequenos, mas gigante em suas qualidades e intenções. O nome do filme, se dá por uma piada, onde um grupo de pedreiros perdidos em um deserto após um acidente de avião. E ao ver aquele mundo de areia, um deles acaba questionando: “Quero ver a hora que chegar o cimento para esse monte de areia”. Algo assim, que obviamente aqui não irá funcionar, mas no filme tem o timming perfeito. Uma preciosidade do cinema nacional que com certeza citarei novamente na lista dos melhores filmes que vi esse ano!”

Disponível em: Amazon Prime.

E continuando no Brasil, temos aqui uma das grades obras-primas do nosso cinema, que fiz questão de assistir e colocar nesse texto. “Eles Não Usam Black-Tie” é baseada na peça de teatro escrita por Gianfrancesco Guarnieri e ele protagoniza a adaptação junto com um elenco estelar. Fernanda Montenegro, Milton Gonçalves, Carlos Alberto Riccelli, Bete Mendes, Francisco Milani e Anselmo Vasconcelos, são as caras conhecidas desse filme.

Passado no começo da década de 1980, em São Paulo, o filme mostra a rotina dentro de uma família, que mora em uma favela e que trabalham em uma indústria siderúrgica em ponto de ebulição por conta das ameaças de uma possível greve dos trabalhadores. Dentro de família, há diferentes pensamentos sobre essa situação. O pai, é um dos principais líderes dos grevistas e o filho, um cara que só quer trabalhar e tentar dar um futuro minimamente para sua namorada grávida.

Tá ligado os conflitos de direita e esquerda dentro das famílias nos tempos de hoje? Pois bem, é mais ou menos isso. Há algumas cenas conflituosas que entregam o ápice das atuações, principalmente quando temos Guarnieri e Riccelli ou Bete Mendes e Riccelli em cena. Coisa fina, para contar uma história necessária sobre luta e dignidade dos trabalhadores. E repetindo. É uma obra prima!!!

Disponível em: Amazon Prime.

Saímos do Brasil e vamos para a Inglaterra, é no ano de 1984 que o filme “Orgulho e Esperança” se passa e no contexto de uma grande greve de trabalhadores do setor de mineração. E é nessa época também que começam surgir os primeiros grupos de ativistas da causa LGBTQIA+. E esses ativistas acabam abraçando a causa dos trabalhadores e se unindo a eles.

O pelo menos tentando ajudar, já que o inicio dessa relação é complicada, devido o preconceito dos mineiros que acabam recusando qualquer tipo de arrecadação feita pelos ativistas. Sempre me lembro que Martin Luther King dizia que a luta de uma minoria sempre deve ser defendida por outros grupos minoritários. E é sobre isso que esse filme fala.

Abraçar a causa alheia, já que a luta de um é basicamente a mesma. Os dois grupos do filme lutavam por direitos e reconhecimento perante a sociedade. Não fazia e não faz sentido algum eles estarem em lados opostos. E o mais importante nisso tudo, é a quebra de preconceitos.

Um filme que reúne um ótimo elenco inglês, com o sempre espetacular Bill Nighy, Imelda Staunton, Dominic West e Paddy Considine.

Disponível em: Shock Vídeo Café.

Continuando na terra da rainha, temos “As Sufragistas”, um drama passado no inicio do século XX, mais precisamente em uma fábrica. Vale ressaltar que o movimento das sufragistas é global, mas esse filme é passado em Londres. A batalha dessas mulheres iria muito além das melhores condições de trabalho, mas também da igualdade de gênero, contra a violência doméstica e o pelo direito de votar. E esses três outros motivos estão diretamente atrelados as melhores condições de trabalho.

Questões como salários iguais para homens e mulheres, não sofrer agressões em cada e poder trabalhar normalmente no outro dia e ter a oportunidade de votar em quem elas achariam que abraçariam suas causas, melhorariam e muito as condições de qualquer trabalhadora em qualquer parte do mundo. E mais uma vez temos um elenco pesadíssimo para representar essas grandes mulheres. Carey Mulligan, Helena Bonham Carter e Meryl Streep, um pouco mais coadjuvante, são as responsáveis por nos entregar um filme importantíssimo, sobre um movimento que todos deveríamos conhecer melhor.

Disponível em: Shock Vídeo Café.

É sempre um prazer quando posso indicar um dos meus preferidos de meu diretor preferidos por aqui. E obviamente, se Martin Scorcese disse que “Vinhas da Ira”, lá de 1940, é um dos seus preferidos, automaticamente, ele será um dos meus também. Mas isso não é demagogia ou falta de opinião própria, temos aqui um dos melhores filmes norte americanos de todos os tempos.

Dirigido por John Ford, temos uma aqui o êxodo de uma família de agricultores que partem de Oklahoma para Califórnia atrás de trabalho durante a crise de 1929. Uma obra prima feita para impactar e chamar a atenção da vida desses trabalhadores ao retratar esse momento histórico repleto de falta de esperança e dúvidas. O que seria melhor? Continuar onde estão ou tentar a sorte em outros lugares? É mais uma vez o cinema usado com brilhantismo para denunciar e expor críticas sociais e as mazelas das desigualdades impostas pelo sistema vigente então. Preciso rever esse filme.

Disponível em: Shock Vídeo Café e acervo próprio.

Trabalho e Cinema

Todos os assuntos tocados nas indicações anteriores podem ser considerados atuais. Mas destaco aqui muito sobre o que o filme “O Operário” fala. Em tempos de discussões sobre as mazelas físicas, psicológicas, profissionais, sociais e familiares causadas pela extenuante escala 6×1 de muitos trabalhadores brasileiros, esse filme consegue ilustrar tudo isso na figura de Trevor Reznik, um torneiro mecânico que trabalho muito e dorme pouco. Na verdade, ele não dorme há um ano e realidade e fantasia passam a serem confundidas.

E tudo isso é brilhantemente representada na atuação técnica e física de Chistian Bale.

O cara já é muito conhecido por se transformar fisicamente para viver seus personagens, mas desse vez ele abusa, de maneira extremamente positiva, dessa virtude. O cara fica literalmente o pó da rabiola. Se a intenção era chocar o público, conseguiram isso com louvor. Incomoda e torna a experiência de ver Bale nas tela, inesquecíveis. Outro filme incrível nessa safra de indicações.

Disponível em: Shock Vídeo Café e acervo próprio.

Pois bem, trabalhadores e trabalhadoras do Brasil. Espero que vocês gostem dessas indicações. Só pedrada.

Continuem trabalhando para poderem assistir seus filmes nos seus momentos de lazer. Não é fácil.

Se fosse fácil não chamaria “trabalho”, chamaria “tomar uma cerveja no pagode com a galera”.

Boa sessão e até a próxima!

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Foto de André Denadai

André Denadai

André é jauense, xvano, palmeirense e apaixonado por cinema e ele escreve periodicamente para o Jauclick.

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