Pelé eterno transformou o futebol, o esporte e levou o Brasil para o mundo

O maior atleta de todos os tempos nos deixou hoje, aos 82 anos

Hoje perdemos o maior jogador de futebol de todos os tempos. A pessoa mais conhecida do mundo, antes mesmo da existência das redes sociais e um Rei com súditos conquistados de forma espontânea, sem colonização ou imposição: o Rei do futebol. Hoje perdemos o Pelé, aos 82 anos.

Deu aquela vontade de colocar aqui “no papel” um pouco do que aprendi ouvindo de gente séria e o que sempre pesquisei sobre essa lenda que, infelizmente, não vi jogar ao vivo e não tive o prazer de conhecer pessoalmente.

Ouvia demais as histórias sobre Pelé, desde as histórias dele jogando aqui Jaú, da história do Aracito ter isolado o Pelé aqui e não ter deixado ele jogar… de que o XV sempre deu trabalho pro Santos de Pelé… nossa… Vô Bastião, tio Vanthier, galera da rádio… era Pelé e só Pelé… desde aquela época já falavam que nunca mais ia haver um jogador igual ao Pelé, que revolucionaria a forma de ver e pensar futebol, pelo jeito dele jogar.

Nunca mais haverá um Pelé e nunca ninguém chegará nem aos seus pés.

Aí tem algumas considerações que alguns desavisados insistem em fazer para mostrar sua falta de conhecimento futebolístico e da história:

Mas o Santos só ganhou 2 Libertadores

Meu amigão. A Taça Libertadores começou a ser disputada em 1960. Sendo que em 62 e 63 o Santos de Pelé foi campeão e parou de participar em alguns dos anos seguintes, por acreditarem que os compromissos de amistosos internacionais pelo mundo eram muito mais rentáveis do que a competição sul-americana. Sim. Abriram mão de algumas Libertadores para viajar o mundo para levar Pelé se apresentar pelos campos mundão afora.

E se pegarmos a amostra de 60 a 63, o Santos ganhou duas, ou seja, 50% das que disputou naquele período.

Mas será que com o futebol de hoje, ele faria mais de 1.200 gols?

Sinceramente? No futebol de hoje acho que não. Gramado de 7cm, niveladinho, sem falhas, chuteira leve, roupa que não pesa o suor, fisiologia de ultima geração, bola digital…

Acho que nos tempos de hoje ele faria uns 3.600 gols.

Mas ele só jogou no Brasil. Nem foi pra Europa

Na década de 50 a 70, o futebol sul-americano, mas especificamente no Brasil, estabeleciam as mais disputadas competições em alto nível técnico. Inglaterra ainda era bola cruzada na área pra cabeçada sem direção de centroavante com 3 metros, Espanha era um antro de jogador acima do peso e França nem pensava em ser vendida para os Árabes. Era só canelada praqueles lados. Único país que apresentava um futebol mais técnico, aliado à força, eram os italianos. Se Pelé fosse pra Europa naquela época, ia morrer de fome.

Aliás, ele foi muito pra Europa, com Santos e Seleção, pra apresentar o novo modelo de futebol. Goleando absurdamente os times daquele continente e mostrando o futebol arte para os europeus, que mais tarde se adaptaram, desenvolveram táticas para tentar, ao menos, nivelar com a técnica dos sul-americanos. Hoje, sabemos muito bem quem evoluiu e quem parou no tempo, mas é assunto para um próximo post.

Artilheiro de Campeonato Paulista

Talvez, hoje, ser artilheiro do Campeonato Paulista não seja tão importante. Mas estamos falando dos anos 60/70. Era o principal campeonato de futebol do Brasil. Era o campeonato mais disputado do mundo (e ficou assim conhecido por muito tempo) por ter grandes times tradicionais e ter excelentes times espalhados pelo interior paulista. Aliás, até meados dos anos 80, centenas de jogadores do interior vestiram a camisa da seleção brasileira, tanto a principal quanto a de base.

Pelé foi o artilheiro do Paulistão 11 vezes. ONZE!

No ano de 1958, Pelé marcou o total de 58 gols no Paulistão, em 38 jogos. O Santos daquele ano fez nada mais nada menos do que 143 gols.

Pra se ter ideia, no último Paulista de 2022, o artilheiro Ronaldo da Inter de Limeira, marcou 9 gols em 12 jogos.

Essas comparações de forma fria, com recorte e sem análise do contexto à época com os de hoje, são injustas. O futebol vivia outro momento. E quem estava transformando isso era o Santos e a Seleção brasileira de Pelé.

Sua habilidade e seu condicionamento físico

É senso comum de que Pelé tinha, desde os seus 15 anos de idade, um condicionamento físico acima da média para os padrões da época. Genética favorável e habilidade adquirida de seu pai, Dondinho, que dizem ter sido um grande jogador de futebol. Pelé mesmo afirmava que ele não queria atingir a fama, chegar onde chegou, mas que ele apenas queria ser um jogador igual ao seu pai.

“O que você vê hoje, Pelé criou ou já fazia”

Pelé revolucionou o esporte chamado de futebol. Depois dele, o jogo atingiu um outro nível. Seus lances, suas jogadas, sua força, começaram a ser estudada e replicada nas décadas seguintes. Tudo o que você vê os jogadores de hoje fazendo, Pelé já fazia. E com um adendo, Pelé usava a 10, mas nunca foi um meia armador, tradicionalmente o camisa 10 que é a cabeça pensante do time. Pelé era um camaleão, tanto como atacante pela beirada, quanto na construção das jogadas. Ele se adaptava ao jogo, ou melhor, fazia o jogo se adaptar a ele.

O futebol durante o período em que Pelé atuava foi a fase com mais mudanças no jogo em si em toda a história do esporte, mas pelo diferencial da evolução que todos tiveram que ter por conta do Santos da década de 60 / 70.

O Santos já era um time vencedor antes da estreia de Pelé. A chegada do jovem jogador apenas elevou ao nível máximo a qualidade daquele time multicampeão.

Conquistas

  • Mais Jovem Artilheiro do Campeonato Paulista (1957)
  • Mais Jovem Campeão Mundial (1958)
  • Mais Jovem Bicampeão Mundial (1962)
  • Maior Artilheiro da Seleção Brasileira Masculina (95 gols)
  • Maior Artilheiro do Futebol Profissional (1281 gols)
  • Campeonato Paulista: 1958, 1960, 1961, 1962, 1964, 1965, 1967, 1968, 1969 e 1973
  • Torneio Rio-São Paulo: 1959, 1963, 1964 e 1966
  • Campeonato Brasileiro (Taça Brasil e Taça de Prata): 1961, 1962, 1963, 1964, 1965 e 1968
  • Campeonato Norte-americano: 1977
  • Libertadores: 1962 e 1963
  • Mundial Interclubes: 1962 e 1963
  • Copa do Mundo: 1958, 1962 e 1970″

Homenagens e prêmios

Bola de Ouro: 1958, 1959, 1960, 1961, 1963, 1964 e 1970 (prêmios concedidos em 2015, após uma revisão da revista France Football)

Atleta do Século:

  • Concedido pelo Comitê Olímpico Internacional (1999)
  • Concedido pela Agência Reuters, da Inglaterra (1999)
  • Concedido pela DuPont, da França (1996)
  • Concedido pelo jornal francês L’Equipe (1981)

Maior Futebolista do Século: Concedido pela Unicef, na Áustria (1999)

Título de Sir-Cavaleiro Honorário do Império Britânico: Concedido pela Rainha Elizabeth II (1997)

Estádio Rei Pelé: Maceió/AL (1970)

Medalha dos Direitos Humanos: Concedida pela organização judaica B’nai B’rith (1995)

Embaixador para a Educação, Ciência e Cultura: Concedido pela Unesco, em Paris (1994)

Membro do Hall da Fama: Concedido pela cidade de Oneonta, em New York (1993)

Embaixador da Boa Vontade: Concedido pela Unesco (1993)

Embaixador da Organização para Ecologia e Meio Ambiente: Concedido pela ONU (1992)

Ordem Nacional do Mérito: Concedida pelo Governo brasileiro (1991)”

Pra terminar, uma curiosidade

Você sabia que os grandes veículos de comunicação, normalmente, têm um editorial preparado e dedicado às mortes das grandes celebridades? Pois bem, todo mundo está preparado, todo material de pesquisa e homenagens já estão prontos, mesmo quando algumas daquelas pessoas nem pensam ainda sobre a própria morte. É muito louco isso, mas é a insanidade desse mundo conectado.

Hoje a informação transcende o tempo. Ela já está pronta e preparada para pequenos ajustes antes da publicação: causa da morte, data e hora, etc…

Uma das últimas entrevistas de Pelé a UOL ele disse uma frase que me marcou muito: ‘quando Ele chamar, não importa quem você é’, e que ele não temia a morte. Pele é eterno, mas o Edson vai morrer. E ele se foi.

César Mantovanelli

César Mantovanelli

Publicitário, XVano e Palmeirense, escreve periodicamente para o Jauclick.com
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