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Um olhar diferente de guerras no cinema

Explorando a dramaticidade oculta: Filmes de Guerra além das expectativas bélicas. Um olhar diferente de guerras.

Muito do que eu trago aqui nos meus textos são das minhas experiências vividas no tempo em que trabalhei na Quintino Vídeo. Indicar filmes era algo muito bom, mas somente quando o cliente gostava do que eu havia passado para ele. E filmes de guerra tinha uma certa dificuldade, pois a maioria que levava obras desse gênero queria ver o máximo possível de tiro, porrada e bomba. Mas filmes estão longe de ser somente isso (Ter um olhar diferente de guerras).

Seria mais tranquilo indicar filmes como “Pearl Harbor”, “Midway – Batalha em Alto Mar”, “O Resgate do Soldado Ryan”, “1917”, ou a nova versão de “Nada de Novo no Fronte”. Não que esses filmes não tenham momentos de drama ou tensão, inclusive, com exceção desses dois primeiros títulos, estamos falando de excelentes filmes.

Mas vou passar uma pequena lista de 5 filmes passados em 5 guerras diferentes onde há uma boa carga de dramaticidade neles. Mas também irei citar alguns outros filmes que achar pertinente. Então vamos lá.

Um olhar diferente de guerras!

Começamos com uma guerra do começo dos anos de 1990 que afetou diretamente quase 3 milhões de pessoas, sendo que 250 mil morreram, claro que, como em qualquer guerra, a maioria dos mortes são inocentes e civis. “Terra de Ninguém” é um filme que retrata a guerra separatista entre Bósnia (país de origem do filme) e a Sérvia e mostra um soldado de cada país em uma trincheira numa área conhecida como terra de ninguém.

Além deles, um outro soldado bósnio está ali, mas deitado sobre uma mina terrestre como uma armadilha humana, sem poder se mexer e contando com o companheirismo de seu compatriota, a tensão gira muito em torno dessa situação. Mesmo com resquícios de uma pequena amizade ou pelo menos de respeito entre os soldados, a falta de diálogo e o estresse da situação são agravantes para a rivalidade inflamada e o constante sentimento de que uma tragédia estará prestes a acontecer.

Alguns outros momentos do filme também são emblemáticos, como no momento em que os dois soldados começam a discutir qual a região começou a guerra e sempre o que está com a arma na mão é o que está com a razão. Ou seja, o país, região ou grupo que contar com o maior poderio bélico, vai tentar mostrar a sua verdade, independente de qual seja. Com um final perturbador e carregado de ironias com as vítimas dessa guerra, é um filme que merece muito ser visto.

Provavelmente o fato histórico mais filmado de todos os tempos seja a 2ª Guerra Mundial. Há uma infinidade de filmes que tenha essa guerra como pano de fundo. E esses filmes geralmente são focados nas façanhas norte americanas ou nos delírios dos nazistas.

Sendo assim, vou mudar um pouco o foco e vou falar um pouco do lado japonês da coisa. E, ao contrário de muitos dos filmes americanos, que idolatram seu país e demonizam seus rivais (que fique bem claro, não estou querendo dizer que um país está certo e o outro está errado. Difícil encontrar argumentos para o ataque japonês à Peral Harbor ou da retaliação americana com bombas atômicas).

“Túmulo dos Vagalumes” é uma animação japonesa de 1989 e foca nas principais vítimas das guerras: os civis. No caso, vemos a vida de dois irmão, um adolescente e uma garotinha bem novinha tentando sobreviver as bombardeios dos aviões americanos. Mesmo morando uma região remota e com pequenos camponeses, eles foram alvos das bombas que caiam do céu. Uma visão inocente de duas crianças perdidas e desamparadas depois das perdas que a guerra lhes proporcionaram.

As fantasias criadas pela imaginação dessas crianças dão um tom muito emocionante para tentar sabotar a realidade que viviam. Mas a verdade era outra e é mostrada de maneira sensível nos traços dessa animação simples, mas extremamente real e cruel. Um lado pouco visto nas telas.

Fica a dica de outro filme excelente que mostra um pouco mais do lado japonês na guerra “Carta de Iwo Jima” é dirigido pelo sempre espetacular Clint Eastwood, trata-se de uma obra muito emocionante e triste e essencial para quem for fã do gênero.

Na humilde opinião desse que vos escreve, um dos melhores filmes de guerra de todos os tempos é “A Lista de Schindler”. Indicar esse filme seria chover no molhado, quem não assistiu pelo menos deve conhecer, mas deveria ver a história do membro do partido nazista que salva mais de mil judeus da morte certa nas mãos de seus partidários.

Sendo assim, indico “Hotel Ruanda”, filme que relara fatos ocorridos no ano de 1994 em Ruanda, país da África que convivia com uma intensa guerra civil entre duas etnias, os Tutsis e os Hutus.

Nesse cenário, aparece a figura de Paul Busesabagina, gerente de um hotel, que na falta de hóspedes, faz o estabelecimento abrigo para esconder pessoas que estavam desabrigas ou fugindo do genocídio que em pouco mais de 100 dias ocasionou a morte de mais de 800 mil pessoas. Li em alguns lugares que o filme conta com alguns personagens fictícios, como o comandante canadense da ONU, mas isso há em qualquer filme e é irrelevante perto da atitude de Paul.

Fica a dica de mais um filme nesse estilo, “O Zoológico de Varsóvia” é um filme muito bom passado durante a 2ª Guerra.

 

Sobre a Primeira Guerra Mundial, vamos também com uma filme que está muito acima de quase tudo o que foi feito até hoje. “Glória Feita de Sangue” (dirigido por Stanely Kubrick, que para mim, é o maior e melhor diretor de cinema de todos os tempos), tem um título forte e muito bem escolhido por quem o traduziu para o português.

Trata-se de um filme que questiona a fascinação que algumas pessoas tem na honra em se morrer em uma guerra e escancara o fato de quem realmente se importa com isso nunca está em um campo de batalha.

Na obra, alguns soldados franceses precisam fazer um ataque visto como impossível contra soldados alemães, mas que é ordenado por um general interessado apenas nas promoções e condecorações que estariam por vir. O ataque ser um sucesso é um mero detalhe, já que, mesmo com as mortes dos soldados franceses, esse general, sem participação ativa na conflito, mostraria coragem e patriotismo.

Um pouco antes desse momento do filme, o coronel vivido por Kirk Douglas solta uma das frases mais memoráveis que já vi no cinema: “O Patriotismo é o último refúgio do canalha.” Levar a morte milhares de jovens que nem queriam estar ali, está longe de ser patriotismo (nem discursos fervorosos e populistas exaltando o país, como andamos vendo ultimamente aqui no Brasil).

E com o total fracasso dessa cruzada, alguém precisa levar a culpa, e ela recai em três soldados sorteados aleatoriamente, que são sentenciados a pena de morte por fuzilamento diante da acusação de covardia diante do inimigo. Filme memorável e que eu revi com muito gosto!

Um olhar diferente de guerras

A Terceira Guerra Mundial não aconteceu, mas nunca esteve tão perto de acontecer em mais filme de Stanley Kubrick. “Dr. Fantástico é uma comédia passada durante a Guerra Fria entre Estados Unidos e União Soviética e se passa quase que totalmente em uma sala de guerra, onde o alto escalão dos militares norte americanos se reuniam para decidir qual o próximo passo para a empreitada contra os soviéticos.

Um humor mais brando, dificilmente iremos chorar de rir, mas ficaremos com aquele tímida risada típica de comédias mais sarcásticas. Não gosto do termo “comédia inteligente”, já que você não deixa de ser inteligente por rir ou não rir ao ver uma comédia, mas é uma comédia diferente do que estamos acostumado a ver por aí.

Com personagens abobalhados e caricatos, o filme zoa muito com militares e seus “poderes”, fazendo com que a obra tenha sido muito mal recebido pelo lado mais conservador da população americana.

Parabéns ao filme por conseguir incomodar e não dar moral aos, mais uma vez, militares de sala (aqueles que ficam atrás da mesa com o c* na mão, como dia Renato Russo) e que acabam fazendo sua guerra apenas apertando botões e no telefone, enquanto o bicho pega para os mais jovens nos campos de batalhas.

Pois bem, fica aí a dica de mais alguns filmes. Assistir há alguns filmes acaba sendo pouco para entender os motivos causadores de uma guerra. Mas eles podem ilustrar muito bem as atrocidades que ali ocorreram. Desde que o homem é home, ele faz guerra, e independente do motivo, é sempre com o intuito de buscar a paz.

Ora, tantas guerras já se passaram e ainda não conseguimos conviver em paz com nossos semelhantes? Algo está errado.

Lembrando também que todos os filmes citados, com exceção de “Nada de Novo do Front” (Netflix), você encontra na Shock Vídeo Café.

Vale a pena dar uma passada por lá. “Hotel Ruanda” também está no Prime, mas só.

Acho importante mostrar onde encontrar esses filmes que cito para incentivar ainda as pessoas para vê-los.

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André Denadai

André é jauense, xvano, palmeirense e apaixonado por cinema e ele escreve periodicamente para o Jauclick.

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